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Fertigation

A cana de açúcar sendo um cultivo gigante que produz uma quantidade imensa de biomassa geralmente demanda maiores quantidades de elementos nutrientes. Um grande número de pesquisas têm claramente demonstrado que é essencial usar N, P e K em quantidades adequadas como fertilizantes nutrientes para produzir mais cana e açúcar em uma base sustentável.

 

Ao mesmo tempo, o custo de fertilizantes químicos aumentou e existe uma necessidade de aperfeiçoar o uso eficiente do fertilizante para obter mais benefícios. A melhor resposta para esse desafio é "Fertirrigação", onde tanto a água como os fertilizantes são despejados ao cultivo simultaneamente através do sistema de irrigação por gotejamento. A fertirrigação assegura que os nutrientes essenciais são supridos com precisão na área com maior atividade intensiva da raiz de acordo com os requerimentos específicos do cultivo da cana de açúcar e tipo de solo resultando em produções maiores de cana e açúcar.

 

A fertirrigação oferece vantagens distintas em comparação com os métodos de aplicação convencionais:

 

 

  • Distribuição dos nutrientes da planta de forma mais igualitária através da zona de raiz úmida resulta em aumento da disponibilidade do nutriente & contribui para um crescimento maior do cultivo e produção de cana

  • Suprimento de nutrientes é incrementado de acordo com as fases de desenvolvimento do cultivo ao longo da estação para ir de encontro às demandas nutricionais do cultivo

  • Regulamentação e monitoração cuidadosa do suprimento de nutrientes

  • Aplicação de nutrientes ao solo quando o cultivo ou condições do solo proibirão a entrada em campo com equipamento convencional

  • Perdas de nutrientes mínimas através do consumo por ervas, lixiviação e água corrente.

  • Não há danos ao cultivo por causa de poda da raiz, quebra de folhas, ou dobra de folhas como ocorre com equipamento/métodos de aplicação de fertilizante convencional.

  • Menos energia é gasta na aplicação do fertilizante

  • Normalmente há menos trabalho & equipamento necessários para aplicação do fertilizante e supervisão da aplicação

  • Compactação do solo é evitada por que o equipamento pesado nunca entra no campo

  • Não há danos causados pelo sal a folhagem

  • Permite aumento no cultivo nas terras marginais onde o controle preciso de água e íon nutriente no ambiente na raiz da planta é crítico.


 

Uso do nutriente pela cana de açúcar

 

 

Absorção de macronutrientes pela variedade CB41 - 76 (Malavolta, 1982)

  

Figura mostra o acúmulo de macro nutrientes pela variedade CB 41-76 sob condições brasileiras. Vários trabalhos indicaram que existe uma relação próxima entre o aumento na produção de talo e acúmulo de N e K que sugere que esses elementos "funcionam juntos" na nutrição e fertilização da planta de cana de açúcar. A proporção máxima retirada pelo macro nutrientes da planta de cana e primeiro safra no período de maior crescimento é dado na Tabela 11.

 

 

Tabela 11. Proporção máxima de uso dos nutrientes pela planta de cana

e safra de cana (Malavolta, 1994)

 

 

Elemento

Planta de Cana

Primeira Safra

kg ha-1 dia-1

Nitrogênio

0.59

0.73

Fósforo

0.08

0.11

Potássio

0.71

0.95

Cálcio

0.45

0.33

Magnésio

0.24

0.26

Enxofre

0.16

0.31

 

De forma geral, o conteúdo de macro e micronutrientes na planta obedece a seguinte ordem decrescente:

 

K»gt; N»gt; P»gt;Ca»gt;S»gt;Mg»gt;Cl»gt;Fe»gt;Zn»gt;Mn»gt;Cu»gt;B»gt;Mo

 

A maioria dos dados publicados sobre as necessidades minerais da cana de açúcar refere-se somente as partes acima que são talos e caules. A tabela 12 é uma tentativa de mostrar as quantidades de macro e micro nutrientes contidas em toda a planta de cana.

 

Tabela 12. Quantidade de macro e micro nutrientes abaixo da terra e partes aéreas da planta de cana

 

Elemento

Raízes

Talos para moenda

Folhas

Total

Kg/ha

Nitrogênio

8

83

77

168

Fósforo

1

15

8

24

Potássio

4

109

105

218

Cálcio

2

30

45

77

Magnésio

1

29

18

48

Enxofre

2

25

22

49

Ciurídeos

--

--

1

1

Silicone

--

98

150

248

g/ha

Boro

34

214

144

392

Cobre

13

201

105

711

Ferro

4900

3800

7900

16600

Manganês

84

1170

1981

3235

Molibdenio

--

4

10

14

Zinco

72

437

336

845

Catani et al. (1959), Orlando Filho (1978), Haag et al. (1987),

Sampaio et al. (1987), Korndorfer (1989)

 

Papel dos nutrientes

Nitrogênio

  1. N constitui somente uma fração de 1.0% do total de peso seco da cana madura
  2. Elemento chave que influencia crescimento, produção & qualidade.
  3. Um suprimento adequado e a tempo promove - Perfilhamento, desenvolvimento da copa, formação & crescimento de talo [formação de internódios, alongamento, aumento do contorno & peso].
  4. Penetração da raiz e proliferação
  5. Deficiência de N causa clorose, senescencia precoce das folhas, talo mais fino & curto e raízes mais longas e finas.
  6. Excesso de N prolonga o crescimento vegetativo, retarda maturação; aumenta a redução do conteúdo de açúcar no suco e assim diminui a pureza do suco, e aumenta o N solúvel no suco afetando clarificação; torna o cultivo suscetível ao alojamento de detritos e ataque de peste e doença.

 

Fósforo

  1. A necessidade é relativamente menor que N e K
  2. Vital para o metabolismo da planta e fotossíntese
  3. Essencial para a divisão celular e assim indispensável para o crescimento & desenvolvimento do cultivo.
  4. Promove perfilhamento, copa e desenvolvimento do talo.
  5. Promove penetração e proliferação da raiz.
  6. P adequado [3-4mg/litro ] em suco de cana é necessário para a clarificação apropriada.
  7. A deficiência de fósforo causa – perfilhamento pobre & redução no comprimento internodal, retarda o fechamento de copa e reduz a área da superfície da raiz.

 

Potássio

  1. Necessário para várias atividades de planta - Fotossíntese, assimilação de carbono & translocação de carboidratos.
  2. Promove síntese de açúcar & sua translocação para armazenar tecido
  3. Promove resistência contra ataque de pestes & doenças e alojamento de detritos
  4. Regula abertura & fechamento e assim mantém a pressão sob condições de umidade do solo desfavoráveis.
  5. Consumo em excesso afeta de forma adversa a cristalização de açúcar & perdas maiores de açúcar nas molassas.
  6. Deficiência de K afeta o crescimento reduzindo o comprimento internodal, síntese de açúcar e recuperação.

 

Causas dos Sintomas de Deficiência Nutricional

Quando um nutriente dado não está presente na solução do solo em uma concentração suficiente para crescimento e diferenciação normal, sintomas visuais de mal nutrição podem eventualmente aparecer. A falta de nutrientes que significa sintomas de deficiência, poderiam acontecer por várias causas como mostra a Tabela 13. É claro que os três motivos principais são reservas baixas para começar, como é o caso de solos antigos em regiões tropicais, diminuição de disponibilidade, e ausência ou falta de elemento no programa do fertilizante nas proporções aplicadas.

 

Tabela 13. Causas Principais dos Sintomas de Deficiência na Planta  da Cana de Açúcar


 

Elemento

Causa

Qualquer

  • Baixa reserva do solo
  • Ausência ou quantidade inadequada na fertilização ou no programa de calagem

Nitrogênio

  • Conteúdo baixo de matéria orgânica
  • Alta acidez (falta de mineralização)
  • Alto índice de chuva (lixiviação)

Fósforo

  • Alta acidez e altos sesquióxidos (fixação)
  • Excesso de calagem (baixa disponibilidade)
Potássio
  • Excesso de calagem (competição para recolhimento)
  •  Alto índice de chuva (solos arenosos, lixiviação)
 Cálcio & Magnésio
  •  Excesso de K no programa do fertilizante (competição)
 Enxofre
  • Ver Nitrogênio
  • Uso de fertilizantes concentrados
 Boro
  • Ver Nitrogênio
  • Excesso de Nitrogênio (má diluição ou inibição no recolhimento)
  • Excesso de calagem (perda de disponibilidade)
 Cobre
  • Excesso de P no programa do fertilizante (inibição no recolhimento)
  • Excesso de calagem (perda de disponibilidade)
 Ferro
  •  Alta matéria orgânica e umidade (disponibilidade baixa)
  • Excesso de calagem (perda de disponibilidade)
 Manganês
  •  Alta matéria orgânica, Excesso de calagem (perda de disponibilidade)
 Molibdênio
  • Alta acidez (disponibilidade baixa)
  • Excesso de sulfato (inibição no recolhimento)
 Zinco
  • Excesso de calagem (perda de disponibilidade)
  • Alta P no programa do fertilizante (inibição no recolhimento)

Fonte: Malavolta (1994)

 

Recomendações de fertilizante em estados diferentes

A cana de açúcar sendo um alimentador pesado que requer grandes quantidades de nutrientes para crescimento e produção, conta com 20 a 25% do custo total de produção. As recomendações de fertilizante para cana de açúcar em países diferentes são dadas na Tabela 14.

 

Tabela 14. Cana de açúcar: Doses de Nutrientes Recomendadas em Países Diferentes

 

País

Cultivo

Nutrientes (kg/ha)

Observações

N

P2O5

K20

Argentina

--

100

Adapt to requirement

--

Australia

Plant cane

Ratoon

56

78

25-80

--

75-150

--

In addition to Bureau mixture

Bangladesh

--

120

85

110

--

Brazil

Nordeste

Sudeste

Cetro-oeste

Sul

Plant cane

Ratoon

Plant cane

Ratoon

Plant cane

Ratoon

Plant cane

Ratoon

60-80

60-80

50-90

50- 90

30-40

40- 60

40-100

20-40

80- 180

20-100

50-110

25-50

30-120

15-60

0-120

20-60

30-120

40-140

20-120

10-80

30-120

20-90

30-120

0-60

N - 2/3 side-dressed

P & K according to soil analysis

P & K according to soil analysis

As above

As above

As above

Guiana Inglesa

--

65-90

50-100

60-150

--

Colômbia

Plant cane

Ratoon

50-70

50-100

50-100

60-120

60-150

60-150

N - Side dressed according to leaf analysis

P & K rates depending upon soil analysis

Costa Rica

Plant cane

Ratoon

80-200

100-250

60-200

50-200

80-200

80-250

--

Cuba

Plant cane

Ratoon

0

35-150

0-50

0-50

0-120

0-150

P & K rates depending upon soil analysis and yield level

Equador

Plant cane

Ratoon

120

90

75-135

--

75-195

--

N-1/3 side dressed

P & K rates according to soil analysis

India 

--

SEE NEXT TABLE

--

Indonesia

--

120

--

--

P & K rates according to soil analysis

Jamaica

--

80-160

--

--

P & K rates according to soil analysis

Mauricio

--

100-125

--

--

2 - 1 -1 mixture

Mexico

--

120-180

0-150

0-150

Most frequent rates: 120 N+60 P2O5+60 K2O

Paquitão

--

90-160

--

--

--

Filipinas

VMC District

Luzon

Porto Rico

--

125

120-140

135-200

120

--

62

180

--

112

--

Africa do Sul

Coastal Lowland

Natal Midland

Lowveld

Plant cane

Ratoon

Plant cane

Ratoon

Plant cane

Ratoon

100-120

140

80

120

120

100

40

20

60

40

30

10

100

150

125

175

125

175

N and K2O for plant cane in 2 split applications

Havai (EUA)

Irrigated

Rainfed

Plant cane

Plant cane

400

300

280

280

400-450

400-450

N in 2 split applications

 

 

Análise Foliar

A análise foliar pode ser considerada um método que avalia o suprimento de solo de elementos disponíveis usando a própria planta como agente extrator. Uma representação geral da relação entre a concentração da folha e produção de cana é apresentada na figura.

 

Relação entre a concentração de folha e produção de cana

(Prevot & Ollagnier, 1956)

 

A figura descreve várias situações que podem ocorrer. No sentido horário os seguintes segmentos são demonstrados:

 

  • Curva em "C" – A produção é aumentada, mas o nível da folha é reduzido; isso acontece quando a proporção de produção de matéria seca é maior que a velocidade de recolhimento ou transporte do elemento para o tecido da folha que causa sua diluição.
  • Zona de Deficiência Ou Ajuste - Somente nessa seção observa-se a relação entre nível e crescimento ou produção da folha, e quase sempre existe uma relação linear entre o aumento da concentração e produção da folha.
  • Nível Crítico Inferior – Normalmente uma banda estreita abaixo na qual a produção é reduzida por causa da falta de elemento.
  • Zona de Consumo de Luxo – É mais larga caso haja macronutrientes como K, e mais curta em outros casos tais como B; o nível foliar aumenta enquanto a produção fica constante; portanto há uma perda de fertilidade ou fertilizante.
  • Nível Crítico Superior - A zona que separa a estabilidade de produção da zona de toxicidade.
  • Zona de toxicidade – O conteúdo foliar aumenta ainda mais e a produção cai, como conseqüência do efeito tóxico do elemento ou como falta de balanço.

 

Na prática da agricultura, o objetivo não é a produção física máxima, mas a realização de uma produção econômica máxima (MEY). Por essa razão o conceito de nível crítico ou nível crítico mais baixo foi redefinido com a introdução de um componente econômico: é a variação de um elemento abaixo da folha no qual a produção é restrita e acima do qual a aplicação de fertilizante não é mais econômica.

 

Isso significa que esse nível crítico fisiológico-econômico, ambos a produção e conteúdo foliar do elemento poderiam aumentar em reação a fertilização. O aumento na produção, porém, não paga o fertilizante adicional e o custo do seu transporte e distribuição. Assim, os níveis de nutrientes considerados adequados para a produção econômica estão apresentados na Tabela 15 & 16.

 

Tabela 15. Níveis de macronutrientes considerados adequados

Para Produção Econômica Máxima

 

País

Cultivo

% de matéria seca

N

P

K

Ca

Mg

S

Australia

Plant

1.90-2.50

0.21-0.30

1.30-2.00

0.20-0.60

0.10-0.30

--

Ratoon

1.90-2.50

0.21-0.30

1.30-2.00

--

--

--

Brasil

Plant

1.90-2.10

0.20-0.24

1.10-1.30

0.80-1.00

0.20-0.30

0.25-0.30

Ratoon

2.00-2.20

0.18-0.20

1.30-1.50

0.50-0.70

0.20-0.25

0.08-0.35

Guiana Inglesa

Plant

2.1

0.21-0.35

1.25-2.00

0.15-0.20

0.12-0.18

0.08-0.35

Ratoon

1.9

0.21-0.35

1.25-2.00

0.20-0.24

0.12-0.18

--

Colômbia

--

1.80-2.00

0.25-0.35

1.60-1.80

> 0.25

> 0.20

--

India

--

1.96

0.086

1.99

--

--

--

Porto Rico

--

1.60-2.00

0.18-0.24

1.55-2.00

--

--

0.13

Africa do Sul

--

1.70-1.90

0.10-0.20

1.05-1.10

0.15-0.18

0.08

0.12-0.13

EUA

--

1.50-1.75

0.18-0.22

1.25-1.75

0.28-0.47

0.14-0.33

0.13-0.18

Reuter (1986), Malavolta (1986), Evens (1967), Garcia Ocampo (1991), Srivastava (1992),

Samuels (1971), Gosnell & Long (1971), Anderson & Bowen (1990)

 

 

Tabela 16. Níveis de macronutrientes considerados adequados

Para Produção Econômica Máxima

 

País

Cultura

%

B

Cl

Cu

Fe

Mn

Mo

Si

Zn

Australia

--

--

--

2

50

--

--

--

10

Brasil

Planta

9-30

--

8-10

200-500

100-250

0.15-0.30

--

25-50

Safra

9-30

--

8-10

80-150

50-125

--

--

25-30

Guiana Inglesa

--

2-10

 smaller
than 0.5%

5-100

4-15

20-200

0.08-1.0

--

15-50

Africa do Sul

--

1.6-10

49-915

3-12

15

--

12-25

EUA

--

3-8

0.068%

7-600

20-21

14-235

0.05-4

1.5-4%

19-38

Anderson & Bowen (1990), Malavolta (1982), Evens (1967), Wood (1987),

Scroeder et.el (1983), Anderson & Bowen (1990)

 

Programa de Fertirrigação

O objetivo do programa de fertirrigação é cobrir a diferença entre requerimento e suprimento, ou seja:

(M) Fertilizante = [M (necessidade - suprimento)] f

Onde M = um macro ou micronutriente, f = é um fator maior que 1 destinado a compensar as perdas por causa de volatilização, lixiviação, fixação e imobilização.

 

Toda vez que o suprimento de solo for menor que o requerimento do cultivo, os fertilizantes tem que ser adicionados para aumentar e manter M (na solução do solo) a um nível compatível com as necessidades da planta. Para fazer recomendações de fertilizante prática, nós temos que responder várias perguntas:

 

Qual elemento (s) está (estão) limitando o crescimento e produção; Quanto? Qual quantidade tem que ser adicionada?

 

A capacidade do solo de suprir nutrientes pode ser avaliada através da análise foliar já feita e mais frequentemente através da análise química do solo. Mais adiante a capacidade de troca de cátion, conteúdos de argila, fator de eficiência, etc. têm que ser considerados para quantificar a necessidade de nutriente.

 

Quando? Em quais estágios a fertilização tem que ser feita?

Como mostra a Fig.46, o padrão de acúmulo como função de ontogenia do cultivo tem que ser levado em consideração para o momento de aplicação de fertilizante. Ambos os fertilizantes nitrogênio e potássio tendem a aumentar a pressão osmótica para a solução do solo quando essa estiver muito alta e isso poderia danificar a semente de cana ou as raízes. O nitrogênio nas formas minerais pode ser lixiviador da rizosfera. O mesmo é verdadeiro para K em solos com CEC baixo. Esses fatos parecem indicar a necessidade de aplicar somente parte da necessidade de N no plantio e fazer para o potássio em solos arenosos.

 

A necessidade de nitrogênio na cana de açúcar é maior durante a fase de perfilhamento (formativo). Isso é necessário para a produção adequada de mudas e desenvolvimento da copa. O perfilhamento no campo cultivado de cana de açúcar começa ao redor de 30 a 45 dias depois do plantio. Portanto, um suprimento adequado de N deve ser disponível para o cultivo no solo no começo da fase de perfilhamento. Mais adiante, a necessidade de N para o cultivo é maior no período precoce de crescimento.

 

Isso facilita a formação da cana; verifica a mortalidade de mudas e promove o crescimento de cana. A aplicação de mais N em uma fase mais tardia do período de crescimento ativo do cultivo não somente promove uma formação de mudas mais ardia, mas também afeta a recoberta de açúcar por causa da redução da porcentagem de sacarose do suco (Pol), aumento na solubilidade de N no suco, formação de brotos além de atrair pestes e doenças.

 

A necessidade de fósforo na cana de açúcar é maior na fase formativa do cultivo. Portanto, o tempo ideal de aplicação de P é durante os estágios iniciais de crescimento. Assim, P suficiente deve estar disponível no solo durante a fase formativa para absorção no cultivo.

 

As aplicações de potássio são geralmente feitas com a aplicação de N. Isso por que uma utilização melhor de N pelo cultivo na presença de K; Portanto, o potássio deveria ser aplicado com. Porém, uma aplicação tardia de K ao redor de seis meses também demonstrou aperfeiçoar a recuperação de açúcar.

 

Em geral o fósforo deve ser aplicado antes de quatro meses, nitrogênio antes de 6 meses e potássio antes de 7 meses. A necessidade relativa de NPK (%) em estágios de crescimento diferentes é mostrada na figura.

 

Necessidade relativa de NPK em estágios de crescimento diferentes do cultivo de cana de açúcar (Bachchhav, 2005)

 

Como? Qual é a maneira mais eficiente de fertilização?

 

A eficácia do fertilizante depende de vários fatores tais como: processo do contato entre o elemento e a raiz, distribuição do sistema de raiz, tipo de cultivo (cultivo de planta ou safra) e espaçamento, tipo de fertilizante e proporção de aplicação. A interseção da raiz, fluxo de massa e difusão fazem as seguintes contribuições percentuais ao total do elemento que alcança a superfície da raiz: N (1, 99 & 0), P (2, 4 & 94); K (2, 20 & 78). Enquanto no caso do nitrogênio o fluxo de massa tem um papel quase exclusivo para o contato, a difusão é o mecanismo principal (94%) para P e para K (78%). Isto significa que enquanto P estiver colocado adequadamente, ambos N e K serão usados de forma igual. Assim, aparentemente a fertirrigação é a melhor opção de fertilização.

 

Com o que? Quais fertilizantes devem ser usados?

A tabela 17 lista os principais fertilizantes solúveis em água usados na cana de açúcar mundial. É desejável usar fertilizantes especialmente solúveis em água por causa das seguintes características:

 

Tabela 17. Fertilizantes próprios para fertirrigação através do sistema de irrigação por gotejamento

 

Nutriente

Fertilizantes solúveis em água

Conteúdo do Nutriente

Nitrogênio

Uréia

Nitrato de Amônia

Sulfato de Amônia

Nitrato de Cálcio

Nitrato de magnésio

Nitrato de amônia

Nitrato de potássio

Fosfato de monoamônia

46-0-0 

34-0-0 

21-0-0  

16-0-0  

11-0-0  

32-0-0 

13-0-46

32-0-0  

Fósforo

Fosfato de monoamônia

Fosfate de monopotássio

Acido Fofórico

12-61-0 

0-54-32

0-82-0

Potássio

Cloreto de Potássio

Fosfato de Potássio

Nitrato de Potássio

Tiosulfato de Potássio

Fosfato de monopotássio

0-0-60

0-0-50 

13-0-46

0-0-25

0-52-34

NPK

Polyfeed

19-19-19

20-20-20

Micronutrientes

Fe EDTA

Fe DTPA

Fe EDDHA

Zn EDTA

Ca EDTA

Rexolin CXK (B+Cu+Fe+Mn+Mo+Zn+Mg)

13

12

6

15

9.7

---

 

  • Livre de cloretos e sódio
  • Não há sal na zona de raiz do cultivo
  • Contém 100% nutrientes da planta
  • Nitrato de nitrogênio de ação rápida, fósforo solúvel e potássio solúvel.
  • Completamente solúvel na água com quaisquer resíduos
  • A maioria dos fertilizantes são ácidos na natureza, e não nenhum tratamento químico especial é necessário para checar o acoplamento do emissor.
  • Mantém o pH do solo ideal contribuindo para uma absorção melhor dos nutrientes
  • A maioria dos fertilizantes é misturada com micronutrientes.


Efeito na qualidade? O efeito do fertilizante na produção de açúcar tem que ser levado em consideração e não somente o total de toneladas de talos a serem moídos tem que ser considerados:

É bem sabido que o "açúcar é feito no campo, não na fábrica". A formação e acumulo de açúcar é a função de muitas variáveis como variedade, idade ou duração do ciclo de cultivo, condições climáticas, fertilidade do solo e fertilização. O efeito da fertilização reflete claramente o papel do nutriente no processo fisiológico dentro da planta, particularmente fotossíntese, transporte e acumulo de sacarose (a relação da fonte de absorção).

Um aumento na proporção de N aumenta a produção de talos e açúcar até a produção atingir um máximo. Se N é aplicado em excesso, a produção de açúcar pode cair. O tempo de aplicação de N tem uma influência profunda no conteúdo de sacarose na colheita. A aplicação de N no começo do crescimento vegetativo não tem efeito negativo no conteúdo de sacarose. Porém, a proporção de aplicação aos 10 meses causou uma diminuição na produção de açúcar de 14 g por talo quando comparado com a aplicação sete meses antes.

 

Altas proporções de aplicação de P (100 kg P2O5/ha) podem reduzir a produção, concentração de açúcar, pol % e pureza, particularmente em safras e solos não deficientes em fósforo. Por outro lado, em solos deficientes de P níveis mais altos de p aumentam a % de pureza. A quantidade de P no suco de cana tem efeito na clarificação e deve estar num raio entre 132 a 264 ppm P quando a calagem é usada para clarificação. Outros métodos de clarificação podem precisar de valores mais baixos.

 

A aplicação de potássio aumenta a produção de talo a ser moído, % de açúcar da cana e % de suco também. A deficiência de K prejudica o transporte de sacarose da folha para o talo. Existe uma interação positiva entre N e K – a redução do conteúdo de açúcar causada por altas proporções de N é melhorada por um suprimento adequado de K. Doses excessivas de K acima das proporções ideais podem exercer um efeito negativo na porcentagem aparente de sacarose na cana (% de cana) e podem promover um aumento de cinzas no conteúdo de suco. Um conteúdo aumentado de cinzas no suco da cana tem uma influência negativa na qualidade do açúcar uma vez que K é o constituente principal das cinzas do suco.

 

Quando k excede 1000 ppm no suco isto é indesejável e afeta o processo de manufatura. O potássio passa através do processo de clarificação afetando a exaustão do xarope final, mantendo certa quantidade de sacarose na solução. K é uma substância melassigênica por que um mol de K contém uma molécula de sacarose. Os efeitos desfavoráveis de K devem ser antecipados somente quando proporções excessivas são usadas; em solos com pouco potássio, o aperfeiçoamento na qualidade da cana é esperado como mostra a figura

 

Efeito do suprimento de K na produção de sacarose, sacarose e conteúdo

de fibra (Malavolta, 1994)

 

 

Considerando os fatores acima como um programa de fertirrigação modelo é dado na Tabela 18 para cultivo de 12 meses e Tabela 19 para cultivos de 14 - 16 meses. Isso é somente um direcionamento baseado no solo local, variedade, fatores climáticos e fatores de gerenciamento onde ajustes necessários podem ser feitos no programa.

 

Tabela 18. Programação de fertirrigação para cana de açúcar da estação (12 meses)/Safra

 

Dias depois do Plantio

Nutrientes (kg/ha/dia)

N

P2O5

K2O

1-30 Dias

1.20

0.10

0.20

31-80 Dias

1.50

0.40

0.24

81-110 Dias

2.00

1.00

0.40

111-150 Dias

0.75

0.30

0.75

151-190 Dias

--

1.50

 

Tabela 19. Programação de fertirrigação para cana de açúcar da estação (14 a 16 meses)

 

Dias depois do Plantio

Nutrientes (kg/ha/dia)

N

P2O5

K2O

1-30 Dias

1.5

0.15

0.25

31-80 Dias

2.0

0.60

0.30

81-110 Dias

2.5

1.50

0.50

111-150 Dias

0.75

0.50

1.0

151-190 Dias

--

1.80

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